2 de agosto de 2014

Figuras de linguagem correndo solto

Sei, entendo e acredito em você. Eu entendo porque também preciso disso. Por tanto que sofri queria agora um anestésico, algo que me deixasse dormente, e que eu só começasse a sentir quando não tivesse risco de doer mais, quando já tivesse certa a felicidade. Mas na vida não tem disso não, a gente tem que se arriscar, dar a cara a tapa. Mas isso é nosso, é essência do ser humano ser assim, temos que ver pra crer, somos todos um bando de descrentes, sem fé,  ''me belisca que eu tô sonhando'', ''só acredito vendo'', a gente pede isso, a gente não se permite. Até que nos meus quinzes anos eu acreditava em tudo, sentia borboletas no estômago, calafrio, coração disparando, perna bamba e frenesi... Mas hoje meu amor, não sou mais rasa, minhas águas são profundas, tem que mergulhar de cabeça, pra chegar onde quero. Cansei de ser rasa, acessível demais. Gostamos do difícil. ''Venha cá, fica comigo, larga essa vida mansa, essa acomodância, se der errado cê volta, se der certo é porque é de verdade''. Rapaz, já ouvi tantos versos e notas, já cantaram pra mim as canções mais belas. Porque gosto que cantem pra mim. Mas como um bom ser humano, gosto do ao vivo, de ver o moinho mover. Não quero palavras cruzadas, faladas, sopradas, quero olhares, imagem e ação. Que contradição, eu, pseudo-escritora, tô aqui só em palavras, falando de atitute... Mas afinal de contas elas me ajudam. É como se eu fosse um balão cheio de ar, e quando poca, ele esvazia... Solta todo amor que tem. Amo isso. Por isso preciso disso, preciso mesmo sentir pra poder encher um balão e de tão cheio que tá, pocar depois, explodir sentimento bom, esvaziar... e soltar amor por aí.

28 de julho de 2014

Enferrujada




Ando precisando de algo que escorregue, algo que me faça sentir ou sorrir. Meus lábios já não se abrem mais, parece que o sorriso travou. Aquela gaveta cheia de lembranças empenou. As cartas ficaram lá. Os papéis devem estar envelhecidos, cor marrom. Aquele pingente enferrujou. E junto a ele, o nosso amor...

Não era ouro, nem prata, e o tempo mostrou. Ando precisando de algo que rebobine tudo. Não precisa ser novo ou velho, não precisa ter idade. Talvez esteja em mim o problema. Aquela palavra que diz concordando mas no fundo o coração desconfia.
Ah, confiar. Talvez aí mora o problema. Depois de apanhar tanto da vida, de fechar os olhos e esperar um beijo do destino, tomo uma rasteira. E aí fico de olhos bem abertos. Espero o pior, sou pessimista, impulsiva, e precipito tudo. E ai não abro meu coração, deixo tudo que é velho guardado, mas não me esqueço, sempre me lembro.. Mantenho distância. Fica isolado. Isso machuca. Mas machuca muito mais mexer em ferida. Melhor fingir esquecimento.. Por um band-aid. Abafar. Sufocar. Pra estancar a dor. Talvez aí mora o problema.

15 de julho de 2014

Tô precisando de um olhar novo, de uma lente nova, de uma pele nova, de tímpanos novos. De sentidos diferentes.

    O negócio é que eu estou vendo, estou andando, estou observando, estou ouvindo, lendo, assistindo, percebendo, assimilando, pensando. O mundo entra em mim, todo dia. Estou sentindo, nossa, estou sentindo. O que é de fora, vem pra dentro, e eu o sinto, bem sentido. Tudo me afeta e me muda.
    Mas parece que nada sai. É tanta coisa entrando e se revirando dentro que fica difícil encontrar um caminho para botar pra fora. Está complicado conversar, me explicar, contar o que acontece "aqui". Escrever, nem se fale, uma eterna luta, sinto que nenhuma palavra traduz o que precisa "sair" e, logo, desisto. Não sei como cheguei ao terceiro parágrafo, esse deve ser o recorde do ano.

Alguém aí tem um sal de fruta pra alma?
A minha está querendo arrotar.

12 de fevereiro de 2014

Outro conto de amor

Pisei nessa terra,
Sem nada saber
Me apresentei
Me garanti
Conheci
Explorei
Fui guiada.

Soltei a mão dele
Andarilhei sozinha
Ou com companhias
E depois da chuva
A água limpou
Preferi andar só.


Não me conheceram
Julgaram
Viram de longe
Acham que sabem
Dos meus mistérios
Só os deuses conhecem.

Eu ia parar
Nada me fazia querer
Veloz da maneira que estava
Endorfina era necessidade.

E agora, José?
Já sei onde encontrar
De onde vem
A fonte.

Me seduziu
Enfeitiçou
Hipnose
Ou amor?

Tinha dono
E se encaixava bem em mim
Tentei subornar
Fui egoísta
Queria arrancar-lhe as forças
Daquele corpo magro
Que não o merecia
Que não sabia o usar.

Fracasso.

Devo então continuar
Ser veloz
Procurar,
Outro hormônio
Satisfazer, o ego
O fígado,
Os olhos,
Exceto o coração
Esse aí, não tem remédio.



5 de novembro de 2013

Sem título, um delírio, sem amor, sem essência

Éster, este
Rio , riu
Ótipos, ótipus

Ótimos éramos,
Antes daquilo
Segundo andar, a campanhinha toca
E as coisas no lugar, se colocam

Preferia tudo bagunçado,
Tinha essência
Luz acessa, neon ligado

Frenéticos
Domingos
Sábados
E dias da semana

Como flor perdendo o aroma
Como Julieta não fosse de Roma
Como o como sem coma
Como o capitalismo tomando conta

Morremos...

30 de outubro de 2013

Só me conte De tuas angústias Do terror que carregas Nas veias. Só me conte Daquelas canções Que lhe faziam Arrepiar. Só me conte Sobre o presente e o futuro Sem medo de abusar Do gerundismo.
(Sabiá Coitelinho)
Nada adiantou Nem o perfume que usei Nem as juras Nem o calor que te passei As curvas O rosto As maçãs cheias, rosadas Quando eu te via Nem todas as poesias Que lhe dei Darei agora só os beijos meus É o que guarda, é o que fica

29 de setembro de 2013

Aniversário de Jequitinhonha, 202 anos de história e cultura

Jequi, tenh(amo)
Jequi tinha miséria
Jequi tinha pobreza
Jequi só não tinha
Aquelas visitas reais
Jequi tinha aquela fama de cabaré
Não precisa entrar
Nem conhecer
É só escutar uma falácia aqui,
Outra ali,
E prontinho, opinião formada!
Pobre é tu
Come a comida já mastigada
Digere informação vomitada
E fica aí, nessa viagem alienada
O que Jequi tem?
Ah! Uma donzela
Não fala dos seus segredos assim,
Ela os guarda,
Ao contrário das moças do cabaré,
Só conhece  a donzela quem a ama.
Mas sim...
Jequi tem belezas
Jequi tem farturas
Jequi tem riquezas
Jequi tem onha
Jequi te amo

27 de setembro de 2013

Não é questão de copiar, repetir, redizer. É questão de identificação. Sou mesmo roda gigante, altos e baixos, sim ou não, antônimos. Sou pau ou pedra. Nada de metade, de mesclar, de inventar. Sou eu. E você é assim, outra parte de mim. Você faz parte de mim. De toda história. Nossa história... Eu falo assim com tantas pausas, porque cada uma delas é uma certeza. Você é certeza, por mais que não pareça. Aparece vez ou outra com toda essa sua lindeza, me irrita bastante as vezes com toda sua chatura. Assim que amo, defeitos seus.

Reflito sobre, paro, reparo em tudo. Adoro dizer que podemos nos chamar de antigos, e quero te chamar de antigos pra sempre. Porque você me conhece de uma forma, eu tomo outra forma, e ainda me quer. Assim que é amor, mudanças.

Década que vem quero mudanças, defeitos, e amor. Não quero idealizar riqueza. Não vou ostentar.
Mas quero idealizar você comigo, dias frios e quentes. Cobertores e lençóis. Toda nosso amor se desfazendo em um só ser.

Já disse que quero casar com você. Ter filhos. Ter uma biblioteca em comum. Uma discoteca em comum. Um quarto em comum. Uma penteadeira. Uma janela em comum, pode ser de madeira. Uma vida em comum. Um jardim, uma horta, um pomar. Um lugar pra a gente se refugiar a cada 365 dias.

O mais lindo de tudo que vivemos, foi a vagareza com  que tudo aconteceu. Não apressamos. Não apressamos nada, nem eu te amos, nem intimidades. E  mesmo assim acontece com espontaneidade. Mostrando então a sinceridade que há, a confiança que há, de como tudo é verdadeiro. E hoje sem perceber, sem dizer nada, sem abrir a boca ou escrever palavras, digo que te amo.