Quem escreve?

''Anna [cheia de graça] Luiza [muito esforçada] geminiana, rock, vascaína, loira, chata.''

Não, não, não!
Isso não me define.
E não quero me definir, mas lembram de mim pela minha energia, pelo meu riso, meu papo, pelas histórias que já viveram. Eu não posso me definir, é muita coisa solta por aí. Dias, chuvas, águas, contos sem fim.  Eu posso por aqui o que me faz bem, mas não me definir. 

Me faz bem andar descalça com o pé no chão. Me faz bem ser pé no chão. Me faz bem o chão, eu adoro. Me faz bem dias de sol para curtir lá fora, e dias de chuva num edredom com quem te quer bem. Me faz bem falar horas no telefone pra matar a saudade, mas me faz ainda melhor olhar no olho e falar horas pra matar a saudade. Me faz bem amar. Me faz bem conversas sensatas, proveitosas, interessantes, inteligentes. Me faz bem gostar tanto de uma música e me viciar e ouvi-la milhares de vezes. Me faz bem os sons: do mar, do violão, do vento, de risadas sinceras, choros verdadeiros  e não superficiais, da campainha quando alguém que me faz bem chama na minha porta . Me faz bem os sons que expressam sentimentos. Me faz bem a voz de Caetano cantando ''Leãozinho''. Me faz bem a voz de um povo todo gritando por seus direitos, me arrepia. Me faz bem sussurros. Me faz bem suspiros no pé do ouvido. Ah, me faz bem tanta coisa. Me faz bem escrever tudo que me faz bem.