“Boa noite, diga apenas boa noite, abra apenas a janela... ’’ Eu cresci escutando esse pedacinho de seresta, ao som do Giannini do meu avô, era uma música dedilhada, que eu morria de vontade de saber tocar, mas, meus até então dedinhos não foram capazes de apertar forte a corda de aço do violão, para tirar um bom som, eles se machucaram – eu passei um hidratante, e melhorou após uns dias, mas não vem ao caso – da mesma forma, aquela música me encantava, eu não me esqueci dela, e a vontade de aprender a tocá-la não passou...
Então, resolvi ocupar meus dedos, minhas horas vagas, com uma caneta entre eles, escrevendo palavras belas, com amor e simplicidade. Escrevendo coisas do meu coração, sem nenhuma vaidade, só mesmo para esvaziar... Sem nenhuma cerimônia... Não precisa de uma escrivaninha para escrever... Nem mesmo de uma caneta dourada, mas, precisa-se de um coração cheio de esperança, um coração saudável... Eu estou escrevendo agora com um blusão cinza, maquiagem borrada, pernas cruzadas, esparramada em um colchão, e coberta por uma colcha de retalho que minha mãe fez pra mim.
E, eu costumo ser assim, escrevo para “lavar as roupas sujas” do meu interior, da minha mente, meu espírito, minha alma. Escrevo sobre o amor, e não me canso de falar sobre ele, danem-se aqueles que me chamam de “romântica incurável” ou de “eterna apaixonada”, ser assim também faz-me ser feliz. Sou transparente. É de a minha essência falar o que estou sentindo, até mesmo o s delírios mais íntimos. Não consigo sentir e calar. Mas também não gosto de sentir e contar. Eu gosto mesmo é de sentir e escrever.
Eu distorci o assunto, mas... Voltando a falar do benzido violão, eu realmente desisti de tocar aquela música, e ela ficou apenas como uma lembrança. E quando eu queria escutá-la, eu me concentrava, e pensava apenas em “Boa noite, diga apenas boa noite, abra apenas a janela... ’’, fechava os olhos e tentava escutar do meu consciente, breves partes da minha trilha sonora. Ela só ficou na lembrança. Engraçado que... Eu sou tão determinada, não desisto de nadica de nada. Mas aquela música, parecia impossível, não seria saudável, eu me permitir calejar os dedos a fim de conseguir tocar uma única música, não é? Então desisti, desisti mesmo.
Falando em desistências, quero informa-lhe que desisti de você também. Eu tentei retentei, tritentei conquistar seu coração. Mas ele é duro, e machuca o meu, que é frágil, mole, mais mole que manteiga em dias de verão. Então eu desisti, aliás, não seria saudável, eu me permitir sofrer, machucar meu coração a fim de conquistar um único alguém, não é?
Resolvi então, ocupar seu lugar com outros alguens. Um dos alguéns foi o Papel, ah, o Papel se fez um grande ombro amigo! Desabafei tantas vezes com ele. E o Tempo, foi meu outro alguém, o tempo amenizou tudo... O tempo fez passar tudo, tanto os calos feitos pelo violão, quanto os seus roubos ao meu coração.

gostei da leitura & do violão quem não gosta de um violão bem tocado?
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