Para o mesmo fim
Que o cantor canta
O pintor pinta
O desespero desespera
O abafo desabafa
Eu escrevo
O doente grita sua dor
Um bêbado entorna
Uma criança esperneia
Me reescrevo
Dias chuvosos
Me limpam a alma
A razão
Os olhos
Enxergo
Choro
E assim desembaça mais
Mais límpida está minha visão
Ocorre
Corre
Cor
Ré
Dó, mi, fá
Sou feita disso
Matéria prima
É ser quente
E letrista
Dias ensolarados
Me derretem
De corpo a alma
A razão e os olhos
Enxergo
Choro
E me derreto mais
Como dói
Saber que ensolarados e chuvosos
Tanto faz,
O cigarro sempre apaga
Indiferente ao clima
À tudo
Natureza minha
Samba
Melancolia
Literalismo
Ruim não é tu
Tu é bom
Mas é indiferente
Ao clima
Aos dias
À mim, à tudo
Dormente
Anestesiado
Tanto faz
Tanto fez
Nem ligando pro tempo verbal
Talvez seja bom um mistério
Um enigma a desvendar
Mas talvezes, queremos claridade
Transparência
Segredo cansa
Corrói
Repete
Machuca
Tripete
Mata aos poucos
Por mais
Desejo ser dormente
Anestesiada
Não sentir mais
O adeus seria indolor
Prefiro as petições clichês
Das últimas folhinhas:
''Mais amor, por favor!''
Disse qualquer provérbio chinês
Esquente o café
Acenda o cigarro
O deixe ligado
Aqueça a lareira
Não basta.
Beba o café que preparou
Dê uma tragada,
Consuma
Relaxe
Todo dia
Seja amor
Seja Romeu
Serei Julieta
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