20 de agosto de 2013

Para o mesmo fim
Que o cantor canta
O pintor pinta
O desespero desespera
O abafo desabafa
Eu escrevo

O doente grita sua dor
Um bêbado entorna
Uma criança esperneia
Me reescrevo

Dias chuvosos
Me limpam a alma
A razão
Os olhos

Enxergo
Choro
E assim desembaça mais
Mais límpida está minha visão

Ocorre
Corre
Cor
Dó, mi, fá
Sou feita disso
Matéria prima
É ser quente
E letrista

Dias ensolarados
Me derretem
De corpo a alma
A razão e os olhos

Enxergo
Choro
E me derreto mais
Como dói
Saber que ensolarados e chuvosos
Tanto faz,
O cigarro sempre apaga
Indiferente ao clima
À tudo

Natureza minha
Samba
Melancolia
Literalismo

Ruim não é tu
Tu é bom
Mas é indiferente
Ao clima
Aos dias
À mim, à tudo

Dormente
Anestesiado
Tanto faz
Tanto fez
Nem ligando pro tempo verbal

Talvez seja bom um mistério
Um enigma a desvendar
Mas talvezes, queremos claridade
Transparência

Segredo cansa
Corrói
Repete
Machuca
Tripete
Mata aos poucos

Por mais
Desejo ser dormente
Anestesiada
Não sentir mais
O adeus seria indolor

Prefiro as petições clichês
Das últimas folhinhas:
''Mais amor, por favor!''
Disse qualquer provérbio chinês

Esquente o café
Acenda o cigarro
O deixe ligado
Aqueça a lareira

Não basta.
Beba o café que preparou
Dê uma tragada,
Consuma
Relaxe

Todo dia
Seja amor
Seja Romeu
Serei Julieta

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