31 de janeiro de 2013

Estou super viciada em Los Hermanos e queria compartilhar aqui o meu vício. Aí está, um lindo dueto.
Música: Janta (Marcelo Camelo/Mallu Magalhães)
Olá queridos leitores!

Tenho ótimas notícias: terminei o ensino médio e passei no vestibular. :D
Minhas aulas só vão começas em 20 de Maio, então, vou usar minhas prolongadas férias para cuidar mais do blog! Não prometo muitos textos meus pois não é sempre que estou inspirada. Mas prometo muitos textos legais, pensamentos, vídeos, dicas e mais! Grande abraço. :D

30 de janeiro de 2013

Fim de mês

Hoje é fim de mês... E é em fim de mês que tudo acontece. Eu acho engraçado que na minha vida, tudo acontece no último momento que se pode acontecer, na última das últimas chances. E isso que é bacana: incerteza. Por mais que reclamemos das surpresas da vida, imagine só uma vida sem surpresas? Não ia ter graça. Não ia ter graça porque eu ia sempre saber o que vai acontecer. E engraçado que os meus melhores momentos são os que me surpreendem... Quando você chegou também foi assim. A vida me surpreende todos os dias, e acho engraçado, que tudo acontece no tempo certo... As peças se encaixam perfeitamente. Como um mosaico. A lua aparece a noite para iluminá-la, o sol vem pelo dia para nos guiar, as flores e frutas vem em abundância para que as guardemos até a próxima estação. Tudo está em sincronia. E isso não é papo de uma ''hipponga''. Isso é papo de gente feliz, realizada! Na verdade, não sou completa, sempre falta algo... Sou movida por sonhos. Busco sempre tudo completo, e quando consigo, lá estou eu... Insatisfeita de novo. Ainda não temos um ao outro, mas quando a gente tiver um ao outro, vamos completar nossos corações e para mover nossa vida, para ela não ficar chata e monótona, vamos ter sonhos juntos. Nossos sonhos. E quando realizarmos um... Lá vem outro.
Outra coisa que acho graça: Você rodou, eu rodei... E acabamos no mesmo lugar. Voltamos a nos cruzar. Isso que acho lindo da vida, dizer ''quem diria?!''... Achei que não íamos viver nem uma primavera juntos, e aí está: Já podemos nos chamar de antigos. Gosto disso. Bem, eu já te disse que toda vez que você chega é uma surpresa, que não sou imune a você e que não quero mais que seja só um vulto em minha vida. Agora quero você de uma forma fixa, até que alguma coisa nos separe. Espero que só nos separemos quando não tiver mais jeito, quando todas as chances de ficarmos juntos acabarem. Espero ter você em todos os fins, nos fins de semana, nos fins de copa do mundo, nos fins de noite, tarde, dia... Nos fins do amor, para que fiquemos a conversar olhando para o teto. Nos fins de almoço, com as panças imensas de tanto comer sobremesa. Quero convívio com você. Quero você nos fins dos meus textos... Quero você até o fim. Até o fim dos meses, dos anos... Até o fim do mundo. E se a gente não ficar junto, é porque ainda não chegou ao fim. 

Morri em Santa Maria

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

Fabrício Carpinejar