18 de janeiro de 2012

A colheita depende das sementes

O silêncio as vezes fala mais que um grito de vinte mil hertz. Fala de uma forma calada de que comigo nada vai bem... De que os dias de glória se foram e agora vivencio apenas os dias de luta. Talvez os últimos tempos foram só o que ando merecendo, talvez eu esteja colhendo o que plantei no passado. É só uma forma justa de aprender a não errar mais...
Mas até os dias de luta são necessários, pra quando eu estiver na bonança, eu dê valor as coisas que tenho, que tive e até as coisas que ainda vou ter... Se eu valorizar meus pertences, dificilmente vou perdê-los. Quem valoriza, ama. Quem ama, cuida. Quem cuida, guarda. E quem guarda, não perde os pertences, as pessoas, os sentimentos...  
De agora em diante, vou plantar sementes boas, para que os frutos sejam proveitosos. Para que a colheita seja agradável e cheia de surpresas, para que venha logo a bonança, para que eu reviva os dias de glória. Para atrair a felicidade até a minha porta. Para que eu possa gritar o amor. 
Uma vez que plantamos sementes boas, colhemos frutos do mesmo escalão, ou, melhores. Essa é a lei da vida, a colheita depende das sementes... não tente mudar a ordem, não funciona... aprenda de uma vez só: colhemos, o que plantamos.




11 de janeiro de 2012

A menina e o pássaro encantado



Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
 Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
 Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
 Tenho de ir  dizia.
 Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades  dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
 Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
 Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
 Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
 Que bom  pensava ela  o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
 Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
* * *
Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…
As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003

7 de janeiro de 2012

Sete cores


Outro dia, caiu água do céu igual cai folha da árvore no outono. Não posso chamar aquele fenômeno de chuva -seria eufemismo exacerbado-  era mais um tempestade torrencial de granizo. É... surpreso? Era granizo mesmo! Os tempos estão mudados, não? Chovendo granizo no sertão... São mesmo drásticas as mudanças climáticas no nosso planeta.


Bem como estava dizendo, a chuva... ou quero dizer, a tempestade torrencial de granizo começou com trovejo e raios só para ''animar''... E foi engrossando, engrossando... até que o atelie da mamãe estava escuro, sem luz alguma, de portas fechadas. Fechadas pelo vento. Enquanto isso meu irmão e meu primo estavam dentro de casa, sozinhos. Eu me preocupei ao lembrar deles- pois ainda eram crianças- e resolvi pular a janela, mas eu tenho 1, 67 de altura então, não fluiu... Achei como saída então ir molhando mesmo... Me molhei inteira, mas valeu a pena, pois lá dentro estava uma verdadeira catástrofe. As portas e janelas abriam e fechavam sem cessar, simultaneamente. Eu ordenei as crianças a fecharem tudo, pois além da tempestade tinha o vento que carregava água pra dentro de casa. Depois que fechamos tudo a casa ficou escura. Um breu. Pra iluminar a casa, fui procurar  velas. Minha sorte foi que havia um toquinho de vela no armário da cozinha. Sem opções, acendi e nos iluminamos com ela. Com luz e calor os nossos ânimos se acalmaram. 


Quando a tempestade torrencial de granizo acabou ainda havia o estrondoso som dos trovões, a minha casa estava levemente alagada. Soprei a vela e abria as portas pra luz natural d dia e do breve sol entrar. No alpendre, já dava pra ver o sol raiar... eram águas do mês de novembro abrindo o verão. Eu e meus ''pimpolhos'' fomos no ateliê da minha mãe e estava tudo bem por lá. Notamos rapidamente os estragos feitos pela tempestade. Ao norte, uma estrutura de um prédio em construção havia desmoronado. Eu arrepiei e agradeci a Deus por ter ter nos protegido. Mesmo com todo aquele cenário destruído, de galhos e ramos  pelo chão com cheiro de terra molhada, eu estava ansiosa pra ver logo o arco-íris, que logo ia surgir no mar de nuvens azul e superior. Eu fiquei ali, em pé, com o olho direito piscando pra conseguir olhar pro céu... esperando as sete cores pintar no azul e branco. Pois tinha certeza que Deus reafirmaria seu compromisso. E não procurei me sentar, minha certeza era absoluta, a certeza de que depois de toda tempestade as sete cores pintam no céu, de que as esperanças voltam a surgir. 

6 de janeiro de 2012

NAMORE UMA GAROTA QUE LÊ
















"NAMORE UMA GAROTA QUE LÊ"

De Rosemary Urquico. Texto original: Date a Girl Who Reads. Tradução e Adaptação de Gabriela Ventura.

“Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.

Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, 
namore uma garota que escreve.

Fonte: anitablake.com.br\ Achei no Blog Vivendo em Livros!

3 de janeiro de 2012

Atrasada mais uma vez: Feliz 2012!


Mais uma vez estou postando um "feliz alguma coisa" atrasadamente, no dia errado... Ou não, né? Aliás não tem dia certo pra desejar felicidades. Falando em desejos, este ano eu tenho muitos... assim como Pablo Neruda, o primeiro deles é o amor sem fim, o segundo é ver o outono, o terceiro é o grave inverno, em quarto lugar o verão, o quinto desejo são teus olhos . Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando. Podem me chamar de acomodada, conformada ou sem vontade de ambição porque só desejo isso desse ano, mas o resto vem! Se tivermos amor, temos fé e se temos esses dois é sucesso. Aliás eu tenho que parar com essa mania de achar que as pessoas, as coisas e a vida são bolas de cristal, que são um baralho na mão de uma cartomante, tenho que parar de tentar prever o futuro, pois este só pertence a Deus. 
Por isso desejo apenas 5 coisas, com uma dose extra de fé, e ponho tudo isso no comando de Deus.

Feliz Ano Novo, embora atrasado, é desejo de felicidade!