Hoje estão alarmando que é o fim do mundo. E não é a primeira vez que alarmam isso. Desde que o mundo é mundo arranjam um fim pra ele. Eu não acredito em superstição, sorte, cartas, dados, conchinhas, numerologia e embora o sol seja um astro luminoso, fascinante e eu tenha um pingente dele, ele não é meu deus e eu não sou heliocêntrica, mas sim teocêntrica. Acredito em uma força maior que é Deus. E não quero que isso seja uma maquiagem para os meus erros mas estou falando a verdade, Deus é o que há de mais importante. Quando a ''coisa'' aperta eu só penso nEle e nas pessoas que amo, que magoei e que têm pendências comigo. Nessa ordem mesmo. Hoje eu quase morri sem comida no estômago, senti falta de ar e quase desmaiei. Pedi para Deus ''...não deixa eu morrer agora, sou muito jovem ainda...'', e depois fiquei imaginando ''Poxa, eu vou morrer sem amar alguém de verdade...''. Porque sim, eu nunca amei ninguém de verdade. Porque quando eu achar o ''cara certo'', o ''alguém de verdade'' vou fazer tudo por ele, vou lutar e vencer tudo que ouse nos ferir. Se precisar vou comer tortas de frango quando estiver na deprê. Vou fazer panquecas no nosso primeiro café da manhã para impressioná-lo e depois vou assumir que é só o que sei fazer para que quando eu cozinhe de novo, ele se surpreenda de novo. Pois o amor é assim, uma surpresa. Quando você se toca, tá amando feito boba. Vou assistir todos os filmes de faroeste com ele (pois sei que é a preferência masculina) mas também vou exigir que vejamos todas as comédias românticas com minha atriz preferida. E também vou querer uma coletânea feita por ele de músicas bonitas, internacionais, e com o verbo ''sangrar'' para minhas tensões pré menstruais. Isso tudo não é só observações fúteis apenas, mas sim os detalhes que tornam ''tudo'' diferente, e quando ''tudo'' é diferente se torna único. Hoje, por exemplo, não vai ser marcado como ''o fim do mundo que foi fracassado'' mas como o início de textos que eu troquei o pronome você, pelo ele... E esse ele, eu nem sei quem é. Que pode ser um você antigo, ou novo... Amanhã ou hoje talvez, pois não sabemos quando as coisas acontecem, o roteiro da vida não é exatamente um roteiro. Hoje um grande detalhe foi acrescido: Deixei de procurar o amor e estou deixando que ele o faça. Hoje comecei a dar valor à minha vida, pois quase a perdi. E é quando sentimos a ameaça de perder algo, que lhe damos valor. Então, te cuide, te ame! É bom.
27 de dezembro de 2012
O Começo Do Fim Da Minha Antiga Vida
19 de dezembro de 2012
Não Altero A Química Da Minha Essência
Não se iluda que vou mudar por sua causa. Que vou deixar de usar preto para que você note minha roupa colorida. Que vou pintar minhas unhas de vermelho e não de azul para você parar de criticá-las. Não se iluda que vou aprender a dançar para te conquistar. Que vou falar, andar e agir como a maioria das meninas que te atrai. Esquece essa ideia de tentar me fazer esquecer dos meus sonhados shows de rock e música popular. Não comece a achar que vou mudar de cidade porque quero ficar perto de você... Eu só vou mudar de cidade porque preciso mudar. Pare de achar que é importante demais ao ponto de influenciar no meu futuro, porque não é. Você é só um vulto. E um vulto muito egocêntrico, porém iludido. E não, não pense que me importo se você não me aceita do jeito que sou... Pois se não aceita, é porque não merece. Aceite as condições. Prefiro perder seu chamado ''amor'' do que minha personalidade, pois personalidade não acaba, quando é forte, entende? E o amor, mesmo sendo forte um dia acaba... Pois nada é eterno, tudo é efêmero, inclusive o amor. Então eu te deixo não se iludir, e você me deixa ser, como sou. Não vou fingir ser uma bonitinha para agradar ninguém, um dia as máscaras caem.
15 de outubro de 2012
Rebobinando o Âmago
Já morri de amor tantas vezes, que perdi a conta de quantas. Minha folhinha já esgotou. Nem em ano bissexto daria pra contar mais uma morte motivada pelo amor. Nem se tivesse o dia trezentos e sessenta e sete. Mas arranjo uma vida pra você. E tenho a sensação de que sou felina, sabe?! Humanos não conseguem reencarnar tantas vezes. Não estou sendo depressiva, nem espírita. Estou sendo ''amorista'' ou ''amorã'', enfim, sou do amor -acho que deu para entender. E se não deu, deixa ficar subentendido. É mais gostoso esse clima de mistério. Mistério mesmo é entender como ainda sobrevivo sem você. Quer dizer, entendo, a gente acostuma com um tempo. Tudo está em função do tempo. Também sou meia ''tempista'', acredito que ele deve ser um dos nossos deuses. Estou rebobinando esse texto, se não percebeu... Pois consigo andar pra trás que nem gato. Mas dizem que andar para trás traz azar. Mas eu sou amiga do tempo, aí ele me leva de volta, me deixa ser nostálgica, e não carrego azar comigo. E se desse, eu to nem aí?! Quero saber é de sempre rebobinar a fita, a música, o texto, a vida, a morte, o amor... E talvez, a folhinha... E apertar ''Repeat, please!'' para as coisas boas. Que nem música clichê. E quero deixar um recadinho para quem ama Los Hermanos e odeia Anna Júlia: Você está sendo clichê ao estar em Outubro outra vez, já parou para pensar quantas vezes já repetiu o Outubro?! Pois é, pois é... Não dá para você morrer em Setembro e reviver em Novembro só para não repetir Outubro. Não existe essa coisa de reviver, eu estava apenas metaforeando. E se for pra morrer, morra de amor... Não morra de clichê!
13 de outubro de 2012
Um Soneto Falando De Poesia
Eu nego e nego que sou poeta, mas sou poeta
Não queria ser poeta
Para não mostrar minha transparência e sensibilidade...
Mas quem nasce assim, morre assim
Descobri que sou poeta,
Ou poetisa, tanto faz (afinal tenho licença poética)
Através das minhas dores,
E das últimas noites de taverna e de inverno que tenho passado sozinha.
Mesmo dizendo que não gosto da minha poesia,
Eu imagino como o mundo seria sem os poetas...
O mundo seria preto e branco, monocromático.Ou talvez não seria mundo.
Eu imagino com mais frequência como o meu mundo seria.
Acho que eu não teria mundo.
Posto que meu mundo, é poesia.
30 de agosto de 2012
Jogue Pedrinhas Na Minha Janela Daqui Uma Década
Que rumo tomou nosso amor?Não sei se foi para Norte-Sul ou Leste-Oeste...
Mas sei que chegou na reta final.
Acabou, evaporou como o álcool que me faz esquecer por algum tempo, de nós.
Tão depressa. Na mesma velocidade que começou. Foi constante até agora. E sinto que estou incompleta.
Mas preciso fazer isso, pois por mais que eu te ame muito quero respirar novos ares, ouvir novos timbres, trocar de trilha sonora, viver outras vidas.
Estou no ápice da mocidade e quero degustar sabores desconhecidos. Amores novos. Eu achei que havia descoberto o amor, mas descobri que do amor, nada sei.
E se precisar chorar, eu choro também. Só quero estar totalmente leve e pura quando for para realmente ser.
Acordei triste e vou dormir assim, correndo pra janela toda vez que ouvir nossa música e achar que é você jogando pedrinhas no meu quarto.
Eu e você
Oh, meu bem...
Temos tantos sonhos, tantos planos, tantas promessas... Vontades. Vontades que vão além do físico, além do corpo, da matéria. Mas que vão até à alma, que vão no futuro.
Queria acordar todos os dias da minha vida perto de você, queria tanto, queria desde já... Mas a gente vai ter que esperar, esperar a boa vontade da vida, para que a gente se junte de vez. Sei que enquanto isso vamos seguindo juntos, fazendo planos, sonhando sonhos.... Imaginando nossa vida futura.... Eu presente na sua e você presente na minha. Sei que você tem calma, paciência e é tranquilo, vai esperar por que gosta de mim. E é recíproco, é totalmente recíproco. Já faz outonos que você faz parte de mim... E eu só penso no outono que vem, pra poder dizer à todos que você é o homem da minha vida, o meu sonho mais bonito. Eu só penso que no próximo outono estaremos vendo as flores caírem, e as folhas secas no chão, fazendo ''creck'' a cada passo nosso. E lá pelas quatro horas da madrugada estaremos dividindo a mesma cama, dizendo baixinho ''eu te amo do tamanho de um dragão'' e o outro ''eu te amo mais'', a gente vai achar tosco, afinal já vamos ser adultos. Mas essa é a parte mais impressionante, conseguimos nos amar até então, depois de tantas idas e vindas. Isso porque aceitamos um ao outro, como realmente somos. Isso porque nos adaptamos às mudanças.
Vamos nos adaptar até o fim dos nosso dias. Ah, vamos ser felizes até que os nossos corações cessem. E enquanto isso não acontece, eu fico aqui escrevendo, esperando e gerundiando com fé de que o futuro está mais perto do que longe.
Temos tantos sonhos, tantos planos, tantas promessas... Vontades. Vontades que vão além do físico, além do corpo, da matéria. Mas que vão até à alma, que vão no futuro.
Queria acordar todos os dias da minha vida perto de você, queria tanto, queria desde já... Mas a gente vai ter que esperar, esperar a boa vontade da vida, para que a gente se junte de vez. Sei que enquanto isso vamos seguindo juntos, fazendo planos, sonhando sonhos.... Imaginando nossa vida futura.... Eu presente na sua e você presente na minha. Sei que você tem calma, paciência e é tranquilo, vai esperar por que gosta de mim. E é recíproco, é totalmente recíproco. Já faz outonos que você faz parte de mim... E eu só penso no outono que vem, pra poder dizer à todos que você é o homem da minha vida, o meu sonho mais bonito. Eu só penso que no próximo outono estaremos vendo as flores caírem, e as folhas secas no chão, fazendo ''creck'' a cada passo nosso. E lá pelas quatro horas da madrugada estaremos dividindo a mesma cama, dizendo baixinho ''eu te amo do tamanho de um dragão'' e o outro ''eu te amo mais'', a gente vai achar tosco, afinal já vamos ser adultos. Mas essa é a parte mais impressionante, conseguimos nos amar até então, depois de tantas idas e vindas. Isso porque aceitamos um ao outro, como realmente somos. Isso porque nos adaptamos às mudanças.
Vamos nos adaptar até o fim dos nosso dias. Ah, vamos ser felizes até que os nossos corações cessem. E enquanto isso não acontece, eu fico aqui escrevendo, esperando e gerundiando com fé de que o futuro está mais perto do que longe.
27 de agosto de 2012
19 de agosto de 2012
Vontade de você
17 de agosto de 2012
Carta à um ex amor
Entre idas e vindas vejo que nada mudou, o que doía ainda dói, mudou-se apenas o sentido da dor. O tempo passou, a chuva caiu, mas tudo continuou intacto, se fundindo e refletindo com a ausência sufocante do seu contato.
Tentei suprir de inúmeras maneiras esse vazio que em mim você germinou, buscando em outras o antídoto pra cessar de vez essa dor. Infelizmente foram apenas tentativas em vão, causando certa frustração e aumentando ainda mais a certeza de que em meu coração só havia espaço para certo alguém, e esse alguém é você meu amor.
Eu estava convicto de que havia tomado as decisões corretas, hoje percebo que fui míope a não ver que tudo que eu precisava estava ao alcance das minhas mãos e com um angustiante remorso por não ter lutado com a ânsia necessária para conquistar de vez o seu amor.
Creio que resquícios de outros amores acabaram me tornando mais cauteloso nesse aspecto, mais eu deveria saber que, VOCÊ, com toda certeza seria bem diferente de todas, reforçando assim o fato que, depois de você as outras foram apenas às outras e nada mais.
Enfim, sei que você está com outro alguém, e não quero te atrapalhar, pelo contrário, quero que você se torne o mais feliz possível mesmo não sendo em meus braços. Quero apenas que saiba que em meus sonhos mais prazerosos é você que está ao meu lado e ninguém mais...
(M22)
14 de agosto de 2012
Amar é rebelde
Tento não me apaixonar, nem me aproximar, mas sou assim. Sou apaixonada, exagerada, sou apaixonante, não tenho nada a reclamar para Deus quanto ao amor, pois verbo que sei conjugar com intensidade se chama amar. Até demais.
Vejo em todas as pessoas um diferencial, analiso minuciosamente tudo que me interessa, e no fim sempre fico indecisa. A razão sempre segue a maior parte de caminho, mas no fim sempre sigo os passos da sensibilidade. Sociedade desnaturada, estão tão desacostumados com o amor que hoje amar é rebeldia. Pra mim não, amar é sair da rotina do século XXI, é criar uma nova tribo, um novo mundo.
Vejo em todas as pessoas um diferencial, analiso minuciosamente tudo que me interessa, e no fim sempre fico indecisa. A razão sempre segue a maior parte de caminho, mas no fim sempre sigo os passos da sensibilidade. Sociedade desnaturada, estão tão desacostumados com o amor que hoje amar é rebeldia. Pra mim não, amar é sair da rotina do século XXI, é criar uma nova tribo, um novo mundo.
13 de agosto de 2012
Bilhetinhos que eu gostaria de mandar
Sabe, se eu pudesse pedir a Deus pra ser uma criatura eu pediria pra ser um anjo cupido. Eu queria muito apaixonar as pessoas e ser o estopim de relações de mil anos de durabilidade e felicidades. E queria além de poder soltar flechas contaminadas com substâncias afrodisíacas e apaixonantes, soltar bilhetinhos ao vento quando homens estivesse falando e fazendo besteira. Esses bilhetinhos seriam dicas do que eles deveriam fazer em momentos como términos de namoros, rolos, casamentos e até inícios também. Pois a grande maioria dos homens não sabem lidar com isso. Os meus bilhetes seriam sempre no Imperativo. Mas com ar de conselho. Dizendo coisas do tipo: ''Mande flores para ela...'', "Componha uma música com seu coração e toque para que ela escute seu sentimento...", "Peça desculpa...", "A roube sorrisos...", "Faça cartas de amor quando vocês estiverem longe, e porque não enviar pelo correio?", "Não desista do amor.'', "Não pare de sorrir, nem de acreditar.", ''Envie bombons, bilhetes anônimos...'', ''Fala eu te amo agora", "Demonstre preocupação'', ''Dê atenção...'' e tantos mais outros alertas. Sabe porque isso? Porque me cansei de ver o ORGULHO se sobrepor ao amor. O mundo em que vivemos está um absurdo, egocentrismo e egoísmo tomam conta do universo. Talvez simples bilhetes como esses iriam fazer toda a diferença... A atenção dada, a risada roubada, o brilho nos olhos, tudo isso muda, altera, e cria uma nova relação. Por isso pensem homens, antes de irem pelo caminho do orgulho... Quem não dá valor abre portas para a concorrência, abre as chances de outras pessoas sorrirem, outras pessoas dar atenção para quem você deixou de dar. Sejam apaixonantes, sorridentes, amáveis, contagiantes, deixem-nos dependentes de vocês, se tornem românticos, caretas, interessantes... Nenhuma, mas NENHUMA mesmo, resiste a um homem assim.
2 de agosto de 2012
DIGA NÃO AS DROGAS
Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "natural" , da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.
Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . . Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
Em vez de encher cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada qu e venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no
Brasil; e
* Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!
(Luís Fernando Veríssimo)
Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . . Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
Em vez de encher cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada qu e venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no
Brasil; e
* Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!
(Luís Fernando Veríssimo)
21 de julho de 2012
10 de julho de 2012
Enganos
Há algum tempo atrás, eu acreditava que só conseguiria escrever se estivesse de mal do amor, mas me enganei. Me enganei porque estou escrevendo agora, e embora não esteja em paz com o amor, também não estou de mal, eu acho. Ou talvez eu esteja enganada de novo. Na verdade, acho que a minha vida é um engano, e você também, o seu sorriso de ontem pode ter sido um engano e o choro de hoje pode não ser verdade. E é esta última palavra que quero: VERDADE. V-E-R-D-A-D-E. Não me engane mais, não me iluda mais, porque não ouso mais chorar por ti. Prefiro a indiferença, a neutralidade, o ''tanto faz'', o talvez do que o não. O não é muito duro, muito definitivo, muito malvado, e enganador. Ele também te engana, sei que você está louco pra dizer sim, me dar um beijo e me pegar no colo dando voltas, rodopios, típicos de reconciliação. Eu sei que você quer me dar seu dedo mindinho e pedir o meu também, fazendo um milhão de promessas- sem ser esnobe, mas é isso. Não deixe ser enganado, abra os olhos, eu não desejo isso a ninguém, nem mesmo a você que já me enganou um dia.
10 de junho de 2012
2 de junho de 2012
Maria Quereres
Sabe quando você não tem vontade de nada? Nem da vida? Quando você só tem vontade de que o mundo melhore e que a mente das pessoas melhorem também? Eu me encontro assim. Na verdade eu me expressei mal, eu não tenho vontade de fazer nada espetacular aos olhos de outras pessoas, como por exemplo ir em festa, ir em aniversários, e se emperequetar toda. Não tenho vontade disso, minha vontade é única. Ninguém tem as minhas vontades. Minha vontade é pensar, é ler, e escutar The Beatles, Los Hermanos, Coisas Boas em Âmbito de Música e ficar assim sozinha. Sozinha com você, e eu não diria ''com você'' porque somos só um, então não precisamos usar o ''com você''. Tenho vontade de dormir durante mil anos e acordar somente no dia que todo o mundo for repleto de amor e paz. Ou então no dia em que inventarem uma máquina do tempo e me levassem pros anos 50, 60 ou 10 quem sabe?! Por que não, não é?
Isso não é depressão não! Isso é só desilusão, preguiça do mundo. Eu queria tanto ter infinitas coisas! Queria ter paciência inesgotável, amor, amores e amigos inesgotáveis. Queria que toda vez que um amor saísse da minha vida, entrasse outro. É isso aí, queria um estoque de amores. Queria falar outras línguas só pra xingar os políticos, o sistema, os domadores de leões e ninguém perceber que eu estava xingando. Eu não me canso, e vou falar isso até que eu não tenha mais vida: não adianta querer, pois o querer nem sempre é sinônimo de poder. Por isso, vou fazer o que quero enquanto eu posso. Vou ser polêmica mesmo, nem que me chamem de Maria Mamilos, nem que me rotulem como Maria Quereres.
25 de maio de 2012
Como me fudi no show dos Los Hermanos
Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em bastante contato umas garotas legais, né?
Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.
Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!
Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!
Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, "do bem" como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. "Do bem", isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são "do bem". E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!
Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí... acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "De quem você é fã?", perguntou. Pô, eu me amarro no George..." Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: "Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!" Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã! "Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!", ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?
Essa eu não entendi...
Logo ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".
"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!" "Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...
Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles "promovem um resgate da boa música brasileira". "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje existirem outros excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando saí do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?
Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam "Os Irmãos"? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!
Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos "Hermanos", ela usou a expressão "do bem" umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?
De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam "Los Hermanos"! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro... Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Aí, se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: "Mas ele não é da banda!" Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...
Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: "Os Irmãos"! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...
Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-Cola? Isso é muito imperialista... Guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?
Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: "Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!" Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é "Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...
Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...
O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora! Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Rapaz, onde fui me meter?
Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?
Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também... Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! "Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?"
"Que sinal?? Que sinal??", respondi, assustado!
"De buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.
Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?
Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando feio pra mim e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!
Apesar de tudo, a banda é realmente é muito boa! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!"? "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Que exagero... Ei, é só música pop! MÚSICA POP!
Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu Jorge" Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete...
Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus...
Adolar Gangorra tem 65 anos, é editor do site humorístico www.adolargangorra.com.br e é filho único.
Peguei do Blog Adolar Gangorra! (:
Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.
Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!
Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!
Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, "do bem" como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. "Do bem", isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são "do bem". E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!
Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí... acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "De quem você é fã?", perguntou. Pô, eu me amarro no George..." Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: "Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!" Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã! "Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!", ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?
Essa eu não entendi...
Logo ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".
"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!" "Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...
Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles "promovem um resgate da boa música brasileira". "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje existirem outros excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando saí do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?
Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam "Os Irmãos"? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!
Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos "Hermanos", ela usou a expressão "do bem" umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?
De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam "Los Hermanos"! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro... Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Aí, se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: "Mas ele não é da banda!" Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...
Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: "Os Irmãos"! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...
Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-Cola? Isso é muito imperialista... Guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?
Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: "Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!" Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é "Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...
Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...
O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora! Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Rapaz, onde fui me meter?
Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?
Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também... Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! "Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?"
"Que sinal?? Que sinal??", respondi, assustado!
"De buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.
Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?
Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando feio pra mim e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!
Apesar de tudo, a banda é realmente é muito boa! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!"? "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Que exagero... Ei, é só música pop! MÚSICA POP!
Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu Jorge" Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete...
Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus...
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Adolar Gangorra tem 65 anos, é editor do site humorístico www.adolargangorra.com.br e é filho único.
Peguei do Blog Adolar Gangorra! (:
20 de maio de 2012
Música da semana
Céu Azul - Charlie Brown Jr.
''Tão natural quanto a luz do dia
Mas que preguiça boa, me deixa aqui a toa
Hoje ninguém vai estragar meu dia
Só vou gastar energia pra beijar sua boca
Mas que preguiça boa, me deixa aqui a toa
Hoje ninguém vai estragar meu dia
Só vou gastar energia pra beijar sua boca
Fica comigo então, não me abandona não
Alguém te perguntou como é que foi seu dia?
Uma palavra amiga, uma noticia boa
Isso faz falta no dia a dia
A gente nunca sabe quem são essas pessoas...''
Alguém te perguntou como é que foi seu dia?
Uma palavra amiga, uma noticia boa
Isso faz falta no dia a dia
A gente nunca sabe quem são essas pessoas...''
***
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Vamos nos importar com quem vivemos, não somente com
Mais qualidade de vida, menos quantidade de bens.
|
19 de maio de 2012
Mudanças
Olá. Vou ser breve, como sempre! Por falta de tempo, estou deixando o Blog de lado... E isso me incomoda. E isso me leva a fazer algumas mudanças por aqui. Eu já mudei o nome do Blog para ''Razão, sensibilidade e música'' o que vai facilitar o aumento da frequência de postagens por aqui. Vou explicar: de agora em diante, não vou postar apenas textos meus, mas também músicas que eu gosto de escutar. E não só a música, mas também uma breve reflexão sobre ela. Bem, é apenas isso. Obrigada, espero que gostem do novo modelo do Blog! Beijos (:
20 de abril de 2012
Sobre Mofo

- Mãe porque as coisas mofam?
- Excesso de água, talvez.
- Só por isso mãe?
- Aquela parede ali é por isso.
- Mas, em geral mãe.
- Ué minha filha, acho que resumindo é só por isso, por exemplo, aquele pãozinho que a mamãe traz pro café da manha, coloca fermento com bacteriazinhas na massa e ele cresce, depois que fica guardado durante um tempo ele mofa porque às vezes sobra umidade dentro dele.
- A gente come bactérias mãe?
- O tempo todo, filha.
- E elas não fazem mal?
- Algumas são mais fracas que o nosso organismo, mas as que não são, fazem mal sim.
- O que mais mãe?
- O mais o que, filha?
- O que mais mofa mãe?
- Vamos lá, as roupas mofam.
- Por quê?
- Por causa da água também, se você guardar ela molhada ou úmida.
- Mas a sua blusa não estava molhada e você disse que ela cheirava mofo.
- É verdade. Mas essas coisas que ficam guardadas em lugares quentes e escuros, sem serem usadas durante muito, muito tempo; elas mofam.
- Ah sim, agora faz sentido.
- O que?
- Você precisa de um novo namorado!
- Ah é? E por quê?
- Andam dizendo por aí que o seu coração está mofado demais.
[silêncio]
- Vem cá vem, minha criança, vem dormir!
- Só por isso mãe?
- Aquela parede ali é por isso.
- Mas, em geral mãe.
- Ué minha filha, acho que resumindo é só por isso, por exemplo, aquele pãozinho que a mamãe traz pro café da manha, coloca fermento com bacteriazinhas na massa e ele cresce, depois que fica guardado durante um tempo ele mofa porque às vezes sobra umidade dentro dele.
- A gente come bactérias mãe?
- O tempo todo, filha.
- E elas não fazem mal?
- Algumas são mais fracas que o nosso organismo, mas as que não são, fazem mal sim.
- O que mais mãe?
- O mais o que, filha?
- O que mais mofa mãe?
- Vamos lá, as roupas mofam.
- Por quê?
- Por causa da água também, se você guardar ela molhada ou úmida.
- Mas a sua blusa não estava molhada e você disse que ela cheirava mofo.
- É verdade. Mas essas coisas que ficam guardadas em lugares quentes e escuros, sem serem usadas durante muito, muito tempo; elas mofam.
- Ah sim, agora faz sentido.
- O que?
- Você precisa de um novo namorado!
- Ah é? E por quê?
- Andam dizendo por aí que o seu coração está mofado demais.
[silêncio]
- Vem cá vem, minha criança, vem dormir!
3 de abril de 2012
Duplos, Folgados, Estreitos
Ninguém vê a magia dos laços, acham que é uma simples arte manual feita de fita. Entretanto, vai além disso, vai muito além disso... Ouvir dizer que laços são como amizades. Quando duplos, são reforçados, fortes. Quando frouxos, folgados, distantes, bate uma saudade, um vácuo, uma nostalgia. Já quando são apertadinhos, grudadinhos, estreitos, comprimidos - bem feitinhos- dá uma sensação de durabilidade, de eternidade... Uma sensação de liga, de que nunca vai acabar, de que nunca vai se desfazer. Pois laço é feito de nó, assim como amizade é feita de amor, e nós jamais são desfeitos.
29 de março de 2012
É uma espécie de estar fazendo aniversário fora de época...
Oi galerinha! Eu sumi daqui né?! Ok. Me desculpem outra vez. Esse ano estou muito ocupada com tarefas escolares -como sempre- e acabei ficando relapsa quanto a minha vida na internet. Mas, hoje o meu professor de Filosofia, Inglês, Geopolítica e Literatura (sim, um só professor para todas as 4 disciplinas) comentou que ouviu falar do meu blog... Daí, lembrei que eu precisava ver o que estava acontecendo por aqui... E adivinhem do que eu me lembrei? Que nesse mês, completa-se o 1º aninho do Razão e Sensibilidade!
Bem, sem rodeios, eu vou dizer: este 1 ano escrevendo no Razão e Sensibilidade foi um dos melhores da minha vida -ou melhor, da minha adolescência- pois minha infância é insuperável. Aqui eu me liberto, eu falo o que eu penso, quero, julgo certo, sem medo de errar. Este espaço aqui é o que me consola, é aqui que eu desabafo coisas que não desabafo com ninguém. É uma espécie de filho. É uma espécie de diário aberto. É uma espécie de amigo de infância. É uma espécie de arte e, literatura. Parabéns para o Razão e Sensibilidade, parabéns para mim! Porque sem demagogia, manter um blog não é nada fácil... Porque ''estamos'' completando mais um ano de vida. Feliz aniversário Razão e Sensibilidade!
8 de março de 2012
Doidas e Santas
''[...] se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões – e a gente sabe como as desilusões devastam - , terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso? Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela caríssimos, nem ela. Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais. Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.''
Martha Medeiros
6 de março de 2012
Deixe o amor bater na sua porta
Sempre que posso, organizo minha vida. Uso agendas, uso calendário, faço planos. Faço planos até demais- e creia: isso não é bom. Dias atrás, eu estava organizando meu quarto... Meu guarda roupas estava uma baderna, daí resolvi arrumar tudo de uma vez só, minhas gavetas, caixinhas, necesseries, entre outros recipientes que contém mimos meus.
O que sempre acontece é que quando vou fazer uma faxina assim, eu acho um zilhão de pertences meus, que estavam perdidos. Dessa vez, eu encontrei algo que fazia anos de desaparecimento, eu já nem me lembrava mais. Era minha bonequinha de porcelana... Vestido de seda, azul bebê, cabelos loiro claro, olhos de cor e formato de amêndoas.
Era linda, eu a chamava de Louise- na verdade, é o meu nome traduzido para algum idioma chique. Quando eu vi minha boneca de porcelana em meio umas caixas no fundo da gaveta meus olhos brilharam, como diamante. Eu havia chorado tanto por ter perdido ela, por ter descuidado dela, havia procurado tanto, e lá estava ela, embaixo do meu nariz! Eu achara a minha Louise, minha companheira de infância. Isso não fazia muito sentido, aliás, eu já estava com idade boa para trabalhar, ter responsabilidades, não para brincar de boneca... Peguei-a então e guardei em um bauzinho de brinquedos que eu tinha. Todos aqueles brinquedos eram para os meus filhos.
Era linda, eu a chamava de Louise- na verdade, é o meu nome traduzido para algum idioma chique. Quando eu vi minha boneca de porcelana em meio umas caixas no fundo da gaveta meus olhos brilharam, como diamante. Eu havia chorado tanto por ter perdido ela, por ter descuidado dela, havia procurado tanto, e lá estava ela, embaixo do meu nariz! Eu achara a minha Louise, minha companheira de infância. Isso não fazia muito sentido, aliás, eu já estava com idade boa para trabalhar, ter responsabilidades, não para brincar de boneca... Peguei-a então e guardei em um bauzinho de brinquedos que eu tinha. Todos aqueles brinquedos eram para os meus filhos.
Após terminar a arrumação, refleti: é sempre assim, quando você procura demais, acha de menos, quando procura de menos, acha demais. Reparei que só encontrava o que eu queria, quando eu parava de procurar, de me importar, quando esquecia. Aquela bonequinha estava debaixo dos meus olhos durante tanto tempo... Se eu tivesse me esquecido dela há mais tempo, teria a encontrado há mais tempo. Mas as coisas da vida são assim, inesperadas, surpreendentes, incalculáveis, mágicas. É assim na vida, é assim no amor. Se você procura demais, o amor nunca vem. Deixe então ele te procure, deixe o amor bater na sua porta. E se você já tem um amor, faço o mesmo. Não procure, exceto se sua saudade for incontrolável. Mas se der pra controlar a saudade, espere que o seu amor sinta sua falta, espere que ele a procure primeiro. Não sofra com antecedência, deixe a vida te surpreender. Não crie expectativas, pode ser ilusão. Não estou dizendo que é ruim amar. Ame sim, é ótimo, faz bem... Mas ame sem fazer planos, aproveite também. É muito mais gostoso quando você é surpreendida, surpreendida por um buquê de flores, por uma caixa de chocolates, por um eu te amo em meio uma briga, ou até mesmo, por um telefonema de madrugada. O sabor da surpresa é melhor, diferente.
E quando você tiver a certeza de que encontrou seu amor, cuide dele. Zele. Alimente-o. Tire-o do chão, tire-o o fôlego. Mas faça isso livremente, levemente, sem planos, sem pesos, sem expectativas. O que for pra ser, será. Bote fé. Deposite sua alma, seu corpo, sua energia. Surpreenda. Surpreenda-se.
25 de fevereiro de 2012
SOULSTRIPPER - Não Trocaria um Sorvete de Flocos por Você (Clipe Oficial)
Amei!!! Mega fofo.
Achei no Facebook, da Fernanda Mello!
Talvezes
Dia após dia, noite após noite e quase todas as minhas
madrugadas são as mesmas. Eu penso em nós dois, sinto saudade, e repenso outras
vezes, torno a sentir sua falta, torno a sentir o seu cheiro deixado no travesseiro,
torno a sentir aquele apertinho no coração quando ouço aquela música que ousava
falar de nós.
E em meio a essas lembranças sempre há momentos em que eu me
pergunto a Deus quando é que a minha estrada vai cruzar a sua. E questiono de
novo, só que dessa vez a mim mesma: por que fui me encantar por você?
Eu tento
entender nosso ‘’lance’’, mas não compreendo totalmente, e talvez seja essa a
graça. Ou talvez, a graça seja seu jeito torto, desengonçado de ser. Talvez
seja seu jeito errado que me apaixona. Talvez seu estilo musical. Talvez sua
barba cerrada. Talvez sejam suas roupas estilo punks. Talvez seja seu descaso
romântico, seu eu te amo calado. Talvez seja o seu ponto de vista sobre o mundo
e as desigualdades encontradas nele, sua forma de criticar a sociedade. Talvez,
porque você toca guitarra. Talvez, isso tudo seja o complemento. Talvez,
talvez, talvezes... Há tantos! E pra que todo esse rodeio? Talvez eu só tenha
me encantado mesmo, simplesmente, loucamente, apaixonadamente por você.
12 de fevereiro de 2012
"Queria" é passado.
Hoje temos tantas teorias, hipóteses e tentativas de
descobrir algo que ainda não foi descoberto, temos tantos sabidões -como diria
minha avó- que tentam fazer história. Que tentam infiltrar doutrinas nas nossas
mentes! Eu fico até meio perdida em meio tantas veredas, tantos palpites! Uns
querem saber como e quando o mundo foi criado, outros querem saber como e
quando o mundo vai acabar. Uns querem saber se é possível clonar alguém, se é
possível curar a AIDS, curar o câncer. Existem tantas perguntas... E, tão
poucas respostas. Não é contradição,
mas, para que fazem tantas perguntas?! De onde tiraram tanta curiosidade?! Acho
desnecessário. Acho uma besteira ficarem perdendo tempo com coisas que não vão descobrir,
com coisas que só Deus sabe.
Mas, vamos combinar que é da natureza humana ser curioso,
não é? É de nossa essência criar expectativas, hipóteses. Todo mundo já tentou
adivinhar alguma coisa. A minha hipótese é a seguinte: eu nasci na década
certa? Ou melhor... No século certo?! Eu nasci no tempo errado. Acho que eu
deveria ter nascido nos anos 50, 60...
Quando não haviam gírias, não haviam cópias, imitações, covers,
posers e, não havia quase nada falso. Os discos de vinil eram caros, mas eram
verdadeiros, valorizavam o trabalho do artista. As fotos eram de duas formas:
feias ou bonitas. Aliás, não existia editor de foto. Eu devia ter nascido e
vivido quando as florestas eram completas, quando eram enfeitadas por muitas
araras azuis. Quando os ares eram mais puros.
Queria colecionar buttons e entrar na aula de crochê e talvez... Tricô. Eu devia ter nascido quando o amor era verdadeiro... Era tratado com seriedade. Quando os rapazes
eram galanteadores, pegavam na mão, beijavam a testa da namorada... E, ainda mais,
levavam flores, trufas, jóias –por mais singelas que fossem- quando levavam, era
de coração.
Quando as moças vestiam saias, apenas saias. E estas eram abaixo do
joelho, cheias de rendas, quais, mesmo sem mostrar a pele, as deixavam sexys.
Eu deveria ter nascido naquele tempo, porque as músicas eram melhores, as
melodias acalmavam e as letras até falavam conosco, e falavam fundo, com o
coração e com a alma. Quando as drogas eram usadas por gosto e não por pressão
dos ‘’amigos’’. E deveria ter vivido, quando as casas tinham flores de enfeites
que ficavam no batente da janela. Aliás... Quando ainda existiam flores. Eu
devia ter vivido naquele tempo, pra aproveitar o mundo como ele foi, porque cá
pra nós... Hoje ele está alterado e, não muito bonito, eu pelo menos, gosto de
coisas originais. Eu queria ter respirado aquele ar, pisado naquela areia limpa
e branca, me banhado naquele mar azul, verde-água. Eu queria ter levado meu pretendente
pro meu pai conhecer e, queria que este tivesse paciência e, sentasse todas as
noites no sofá com toda minha família para ouvir rádio, em vez de me namorar. E
claro... Queria que às vezes, a gente desse um escorrego, e nos beijássemos no
portão, enquanto ninguém nos via. Queria que às vezes ele fosse corajoso, ao
ponto de jogar uma pedrinha na minha janela, tarde da noite, só pra me fazer
uma serenata. Ah, eu devia ter nascido na época em que o cortejo era feito por
bilhete e não por chat ou mensagem de texto.
Na época em que a moda era vestidos
de bolinha e pérolas... E, em que o futebol era bonito de se ver. Eu queria ter
visto o rei Pelé jogar por nossa seleção! Também queria ter escrito esse texto em máquina de escrever, escutando o barulinho das teclas da datilógrafa. Eu queria, queria tanto. Mas
infelizmente, ‘’queria’’ é passado. Tenho que me contentar com o presente, pois
não existe máquina do tempo, não existe nada que nos leve para o passado. Então, já que não posso ir em direção a ele, vou tentar trazê-lo pro meu hoje.
Fazer um presente diferente. E, logo, deixar um futuro seguro para meus filhos,
netos e bisnetos. E isso não é tão simples, nem tão complexo quanto parece. É
normal, é só não dar força para as coisas da nova ordem e, seguir apenas o que
te faz crescer... Absorver e irradiar apenas o que for proveitoso!
5 de fevereiro de 2012
''Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol, grite pelo seu time. Numa festa, comemore. Durante um beijo, apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se. Reencontrou um amigo, escute-o. Ou faça de outro jeito, se preferir: dentro da igreja, escute-O. Durante um beijo, dispa-se. No estádio de futebol, apaixone-se. De frente para o mar, ajoelhe-se. Numa festa, grite pelo seu time. Reencontrou um amigo, comemore.
Esteja, entregue-se.''
(Martha Medeiros - Os ausentes)
18 de janeiro de 2012
A colheita depende das sementes
O silêncio as vezes fala mais que um grito de vinte mil hertz. Fala de uma forma calada de que comigo nada vai bem... De que os dias de glória se foram e agora vivencio apenas os dias de luta. Talvez os últimos tempos foram só o que ando merecendo, talvez eu esteja colhendo o que plantei no passado. É só uma forma justa de aprender a não errar mais...
Mas até os dias de luta são necessários, pra quando eu estiver na bonança, eu dê valor as coisas que tenho, que tive e até as coisas que ainda vou ter... Se eu valorizar meus pertences, dificilmente vou perdê-los. Quem valoriza, ama. Quem ama, cuida. Quem cuida, guarda. E quem guarda, não perde os pertences, as pessoas, os sentimentos...
De agora em diante, vou plantar sementes boas, para que os frutos sejam proveitosos. Para que a colheita seja agradável e cheia de surpresas, para que venha logo a bonança, para que eu reviva os dias de glória. Para atrair a felicidade até a minha porta. Para que eu possa gritar o amor.
Uma vez que plantamos sementes boas, colhemos frutos do mesmo escalão, ou, melhores. Essa é a lei da vida, a colheita depende das sementes... não tente mudar a ordem, não funciona... aprenda de uma vez só: colhemos, o que plantamos.
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