28 de julho de 2014

Enferrujada




Ando precisando de algo que escorregue, algo que me faça sentir ou sorrir. Meus lábios já não se abrem mais, parece que o sorriso travou. Aquela gaveta cheia de lembranças empenou. As cartas ficaram lá. Os papéis devem estar envelhecidos, cor marrom. Aquele pingente enferrujou. E junto a ele, o nosso amor...

Não era ouro, nem prata, e o tempo mostrou. Ando precisando de algo que rebobine tudo. Não precisa ser novo ou velho, não precisa ter idade. Talvez esteja em mim o problema. Aquela palavra que diz concordando mas no fundo o coração desconfia.
Ah, confiar. Talvez aí mora o problema. Depois de apanhar tanto da vida, de fechar os olhos e esperar um beijo do destino, tomo uma rasteira. E aí fico de olhos bem abertos. Espero o pior, sou pessimista, impulsiva, e precipito tudo. E ai não abro meu coração, deixo tudo que é velho guardado, mas não me esqueço, sempre me lembro.. Mantenho distância. Fica isolado. Isso machuca. Mas machuca muito mais mexer em ferida. Melhor fingir esquecimento.. Por um band-aid. Abafar. Sufocar. Pra estancar a dor. Talvez aí mora o problema.

15 de julho de 2014

Tô precisando de um olhar novo, de uma lente nova, de uma pele nova, de tímpanos novos. De sentidos diferentes.

    O negócio é que eu estou vendo, estou andando, estou observando, estou ouvindo, lendo, assistindo, percebendo, assimilando, pensando. O mundo entra em mim, todo dia. Estou sentindo, nossa, estou sentindo. O que é de fora, vem pra dentro, e eu o sinto, bem sentido. Tudo me afeta e me muda.
    Mas parece que nada sai. É tanta coisa entrando e se revirando dentro que fica difícil encontrar um caminho para botar pra fora. Está complicado conversar, me explicar, contar o que acontece "aqui". Escrever, nem se fale, uma eterna luta, sinto que nenhuma palavra traduz o que precisa "sair" e, logo, desisto. Não sei como cheguei ao terceiro parágrafo, esse deve ser o recorde do ano.

Alguém aí tem um sal de fruta pra alma?
A minha está querendo arrotar.