29 de março de 2013
Me deixes
Ontem meu pai disse que viria uma ''frente fria'' pro sul da Bahia, deve ter visto jornal. Dito e feito. Junto com a ''frente fria'' veio chuva, sem vento. Entretanto, chuva com cheiro de passado.
A chuva me faz querer ficar o dia todo debaixo do edredom,me faz querer ainda mais ler, escrever, abraçar, amar, e comer qualquer coisa que contenha açúcar. Me faz escutar música boa, e só escutar mesmo -não cantar- e refletir sobre ela. Me faz refletir muito sobre tudo, mais sobre o passado, mas ontem fiz reflexão completa: passado, presente, futuro. Me perguntei em diferentes tempos verbais... ''O que fiz, o que deixei de fazer? O que tenho feito? O que vou fazer?''. Refleti, re-refleti, tri-refleti. Conclui que não deixei de fazer nada, fiz até demais... Isso me dá uma sensação de satisfação, de realização, de ser completa. E me recordo de uma música ''Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim. Mas mesmo assim...'' e realmente cara, eu fiz de tudo! Mas, porém, todavia... Sempre tem mas's, poréns, todavias... Sempre tem conjunção de oposição e adversidade no meu passado, mas deixa estar, deixa pra lá, deixa que a gente supera. A gente supera junto, ou a gente supera separado. Ou então superamos separado, porém, não sozinhos. Além do mais o passado já foi o presente.
Eu tenho sido tão feliz, muito feliz mesmo, mais feliz que criança em circo. Mas sempre falta algo. Sempre tem uma conjunção fazendo filhadaputice na minha vida - acho essas conjunções desnecessárias, muito melhor deixar as coisas subentendidas, prefiro orações assindéticas. Eu também tenho crescido muito por dentro -sei que é ilusão. Tenho deixado ele crescer dentro de mim. Como diria Caio, eu esperava uma avenca, mas reguei, dei espaço, e agora já vejo que passou de uma roseira. Tenho me sentido velha, conhecedora das coisas, da arte, da vida, da arte da vida. Tenho me sentido chata, mais que nunca. Cheia de não-me-toques, de sistemas confusos que nem eu me entendo. Acho que agora sou eucarionte. Complexa. Me fechei. Mudei. Amadureci. Talvez seja só uma metamorfose. Talvez eu esteja mesmo estabelecendo dentro de mim pontos fixos, medos, coragens, gostos, não's e sim's. Aprendi durante esse tempo de autorreflexão que sou mesmo uma caseira, introvertida na maioria das vezes, que detesta formalidades, jantares, cafés, chás que tenham mais pessoas do que imaginara, e que exija garfo na mão esquerda, faca na direita. E faca. Que exija etiqueta, cotovelos flutuando, asas fechadas, pernas cruzadas. Isso não é muita coisa, é uma frivolidade. Mas expressa uma opinião, então, é importante. Eu prefiro pernas pro ar, comer de colher, mesmo sendo mulher. Eu prefiro domingos inteiros sem fazer nada. Eu prefiro mil dias com um alguém, do que um dia com mil alguéns. Também é ainda mais notável que ando meiga. Que ando olhando sempre dois lados de uma situação e me colocando no lugar das pessoas -antes eu já fazia isso, mas agora me por no lugar do outro se tornou um reflexo, algo obrigatório, decorado pelo meu cérebro. E mais notável é a minha arte mais aperfeiçoada: pensar em voz alta. Não pensar nas consequências ao falar... Só ''plin!!! falei!'', simples assim, espontaneidade se chama esse dom.
''O que vou fazer?'' Essa sem sombra de dúvida é a pergunta mais difícil de todos os tempos. Sem resposta. Talvez eu possa embromar, dizer... Amar, viver, fazer o que der na telha. Deixa estar, deixa a deixa, deixa a vida me levar, deixa o verão pra mais tarde...
Deixa ser como será! Deixa o amanhã chegar, e reorganizo tudo, e faço. Quando chega na hora agá, não tem como fugir. Só tem como viver, mal vivido ou não, com medo ou não...
É algo inadiável: viver e esperar pra ver o que dá, enquanto isso eu curto meu frio com minha frivolidades e minhas vontades estranhas.
22 de março de 2013
"Não quero viver como uma planta que engasga e não diz a sua flor. Como um pássaro que mantém os pés atados a um visgo imaginário. Como um texto que tece centenas de parágrafos sem dar o recado pretendido. Que eu saiba fazer os meus sonhos frutificarem a sua música. Que eu não me especialize em desculpas que me desviem dos meus prazeres. Que eu consiga derreter as grades de cera que me afastam da minha vontade. Que a cada manhã, ao acordar, eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa."
Ana Jácomo
8 de março de 2013
Um homem inteligente falando das mulheres
''Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade. Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia. Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda. Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo. É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!''
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo. É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!''
(Luís Fernando Veríssimo)
7 de março de 2013
Bem no Fundo
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
5 de março de 2013
4 de março de 2013
''Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.''Fernanda Mello
1 de março de 2013
Fiz uma estrofezinha só
As coisas mudam,
As pessoas,
Eu mudei,
E sinto falta do meu antigo jeito...
Do meu antigo eu.
Ah, eu me amo tanto
Eu já passei tanto tempo escrevendo sobre amor. Amor de todo jeito. Amor de pai, de mãe, de amigo, de homem pra mulher, de mulher pra homem. De todas as formas de amor ao próximo. Hoje, eu resolvi expressar ao escrever, o meu amor por mim. O amor Próprio. E sabe... Depois que resolvi isso, de ter um amor Próprio, tô me sentindo bem pra caramba. As vezes a gente passa por algum stress, alguma tribulação, alguma perca, alguma desilusão... E a gente se vê só. Olhamos pros lados e nada vemos. Os amigos dormem. Os celulares descarregam. As pessoas cansam de ouvir seu dia-a-dia. Você se vê muito só mesmo, só você, e você. Só você e seu eu. E daí você tem que dar um jeito naquilo. Então, você esfria a cabeça e se ama! Você faz coisas que te faz sentir bem. Escuta um bom CD, vê um filme que te faz sorrir, ou chorar, ou se assustar, ou ficar ansioso para que dê tudo certo no fim, ou querer se tornar um super herói, ou querer se apaixonar. Você SENTE. Porque a vida é feita disso: sentimentos. Você lê uma história bacana. Dança sozinha. Canta pelada, no chuveiro, claro. Escreve. Pinta suas unhas. Reescreve. Transcreve a história bacana que leu antes. Senta varanda, na porta, na beira do rio e sente o vento. Você olha pra lua, e diz que ela está linda naquela noite, e ela deve ficar agradecida lá do céu. Você faz uma coisa gostosa para comer. Dorme tarde, perde a hora pra levantar. Você VIVE. Porque é isso que devemos fazer na vida. E daí você percebe que não precisa de seu ninguém, além de Deus, para ser feliz. Percebe que conjugar esse verbo ''amar'' não é necessário uma segunda pessoa. Então, você vê que sua felicidade se tornou independente. Você mergulha de cabeça nesse romance com o Próprio. E se ama, se liberta.
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