Hoje temos tantas teorias, hipóteses e tentativas de
descobrir algo que ainda não foi descoberto, temos tantos sabidões -como diria
minha avó- que tentam fazer história. Que tentam infiltrar doutrinas nas nossas
mentes! Eu fico até meio perdida em meio tantas veredas, tantos palpites! Uns
querem saber como e quando o mundo foi criado, outros querem saber como e
quando o mundo vai acabar. Uns querem saber se é possível clonar alguém, se é
possível curar a AIDS, curar o câncer. Existem tantas perguntas... E, tão
poucas respostas. Não é contradição,
mas, para que fazem tantas perguntas?! De onde tiraram tanta curiosidade?! Acho
desnecessário. Acho uma besteira ficarem perdendo tempo com coisas que não vão descobrir,
com coisas que só Deus sabe.
Mas, vamos combinar que é da natureza humana ser curioso,
não é? É de nossa essência criar expectativas, hipóteses. Todo mundo já tentou
adivinhar alguma coisa. A minha hipótese é a seguinte: eu nasci na década
certa? Ou melhor... No século certo?! Eu nasci no tempo errado. Acho que eu
deveria ter nascido nos anos 50, 60...
Quando não haviam gírias, não haviam cópias, imitações, covers,
posers e, não havia quase nada falso. Os discos de vinil eram caros, mas eram
verdadeiros, valorizavam o trabalho do artista. As fotos eram de duas formas:
feias ou bonitas. Aliás, não existia editor de foto. Eu devia ter nascido e
vivido quando as florestas eram completas, quando eram enfeitadas por muitas
araras azuis. Quando os ares eram mais puros.
Queria colecionar buttons e entrar na aula de crochê e talvez... Tricô. Eu devia ter nascido quando o amor era verdadeiro... Era tratado com seriedade. Quando os rapazes
eram galanteadores, pegavam na mão, beijavam a testa da namorada... E, ainda mais,
levavam flores, trufas, jóias –por mais singelas que fossem- quando levavam, era
de coração.
Quando as moças vestiam saias, apenas saias. E estas eram abaixo do
joelho, cheias de rendas, quais, mesmo sem mostrar a pele, as deixavam sexys.
Eu deveria ter nascido naquele tempo, porque as músicas eram melhores, as
melodias acalmavam e as letras até falavam conosco, e falavam fundo, com o
coração e com a alma. Quando as drogas eram usadas por gosto e não por pressão
dos ‘’amigos’’. E deveria ter vivido, quando as casas tinham flores de enfeites
que ficavam no batente da janela. Aliás... Quando ainda existiam flores. Eu
devia ter vivido naquele tempo, pra aproveitar o mundo como ele foi, porque cá
pra nós... Hoje ele está alterado e, não muito bonito, eu pelo menos, gosto de
coisas originais. Eu queria ter respirado aquele ar, pisado naquela areia limpa
e branca, me banhado naquele mar azul, verde-água. Eu queria ter levado meu pretendente
pro meu pai conhecer e, queria que este tivesse paciência e, sentasse todas as
noites no sofá com toda minha família para ouvir rádio, em vez de me namorar. E
claro... Queria que às vezes, a gente desse um escorrego, e nos beijássemos no
portão, enquanto ninguém nos via. Queria que às vezes ele fosse corajoso, ao
ponto de jogar uma pedrinha na minha janela, tarde da noite, só pra me fazer
uma serenata. Ah, eu devia ter nascido na época em que o cortejo era feito por
bilhete e não por chat ou mensagem de texto.
Na época em que a moda era vestidos
de bolinha e pérolas... E, em que o futebol era bonito de se ver. Eu queria ter
visto o rei Pelé jogar por nossa seleção! Também queria ter escrito esse texto em máquina de escrever, escutando o barulinho das teclas da datilógrafa. Eu queria, queria tanto. Mas
infelizmente, ‘’queria’’ é passado. Tenho que me contentar com o presente, pois
não existe máquina do tempo, não existe nada que nos leve para o passado. Então, já que não posso ir em direção a ele, vou tentar trazê-lo pro meu hoje.
Fazer um presente diferente. E, logo, deixar um futuro seguro para meus filhos,
netos e bisnetos. E isso não é tão simples, nem tão complexo quanto parece. É
normal, é só não dar força para as coisas da nova ordem e, seguir apenas o que
te faz crescer... Absorver e irradiar apenas o que for proveitoso!